A Estética do Desvio: O cinema grotesco como recurso estético e ético para romper com a normatização da Arte e ampliar a percepção do real

Autores

  • Larissa Nakano
  • Helder Mariani Pires

Resumo

O grotesco no cinema costuma ser associado ao excesso, à violência e à deformidade, sendo frequentemente compreendido como provocação ou espetáculo. Este trabalho parte da hipótese de que essa leitura é insuficiente. Em uma cultura marcada pela padronização estética e pela transformação da arte em mercadoria – como analisam Theodor Adorno e Max Horkheimer. O grotesco pode operar como uma forma de ruptura, ao reinscrever a violência, o desconforto e o corpo imperfeito na experiência artística. Como lembra Umberto Eco, as categorias de beleza e feiura são historicamente construídas, o grotesco revela os limites dessas convenções e expõe sua fragilidade. No entanto, seu valor não é estável: o mesmo choque que tensiona normas pode ser absorvido pela lógica do mercado e convertido em estímulo consumível. O cinema grotesco situa-se, assim, numa zona de conflito permanente, onde resistência estética e mercantilização coexistem. Mais do que celebrar a transgressão, trata-se de pensar seus impasses e suas possibilidades no interior da cultura contemporânea.

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Publicado

13/03/2026