Silêncio Institucional e seus desdobramentos éticos: Uma análise do caso Jeffrey Epstein
Palavras-chave:
poder; comunicação organizacional; silenciamento institucional; gestão da reputação; Jeffrey EpsteinResumo
O presente artigo analisa o caso Jeffrey Epstein a partir das relações entre poder, comunicação e silenciamento institucional, buscando compreender como diferentes estruturas sociais, políticas e midiáticas contribuíram para a manutenção de sua influência pública e para a invisibilização de denúncias de abuso sexual ao longo de décadas. Fundamentado nas contribuições de Michel Foucault sobre poder, discurso e regimes de verdade, bem como nos estudos de Carolina Terra, Bianca Marder Dreyer e João Francisco Raposo acerca da comunicação organizacional, da
transparência e da responsabilidade social, o trabalho investiga o papel desempenhado por instituições, meios de comunicação e estratégias de gestão da imagem na construção e preservação de determinadas narrativas públicas. Metodologicamente, trata-se de uma pesquisa bibliográfica e documental, de caráter qualitativo, na qual o cunho investigativo constitui o eixo predominante da análise, permitindo examinar documentos, reportagens, entrevistas e produções audiovisuais relacionadas ao caso. Os resultados indicam que a permanência da legitimidade social de Epstein não pode ser atribuída exclusivamente ao seu capital econômico ou às suas conexões políticas, mas também à atuação de redes de poder que influenciaram a circulação de informações e a visibilidade das denúncias. Conclui-se que a comunicação pode atuar tanto como mecanismo de manutenção de estruturas de poder quanto como instrumento de questionamento e responsabilização social, evidenciando a importância da ética, da transparência e do compromisso com o interesse público nas práticas comunicacionais.