Imagem, Afeto e Comunicação do Inconsciente: Nise da Silveira como fundamento ético-estético para o documentário social

Autores

  • Paola Albuquerque Macario de Lima
  • Bruno César Santos

Palavras-chave:

Nise da Silveira; Comunicação Social; Documentário; Imagem; Arte e Loucura.

Resumo

Este artigo analisa as contribuições teóricas e práticas de Nise da Silveira para a construção de um documentário audiovisual no campo da Comunicação Social, a partir de uma pesquisa bibliográfica fundamentada em autores da psicologia, da psiquiatria, da arte e dos estudos culturais. Parte-se da compreensão de imagem como linguagem simbólica do inconsciente, desenvolvida por Nise da Silveira (1986) em diálogo com a Psicologia Analítica de Carl Gustav Jung (2011), para discutir a potência comunicacional das produções artísticas realizadas por sujeitos em sofrimento psíquico. O estudo mobiliza, ainda, reflexões de Frayze-Pereira (2003) sobre a articulação entre arte, política e loucura; de Mello (2014), acerca da trajetória institucional e ética da médica alagoana; e de Castro e Lima (2007), que analisam sua prática como forma de resistência clínica e cultural. Autores como Pedrosa (1980/2014) e Silva (2009; 2013) contribuem para compreender o Museu de Imagens do Inconsciente e a Casa das Palmeiras como dispositivos simbólicos, culturais e comunicacionais, capazes de produzir circulação pública de sentidos e de tensionar imaginários sociais sobre a loucura. A problemática que orienta o artigo investiga de que modo as teorias e práticas de Nise da Silveira podem fundamentar escolhas narrativas, estéticas e éticas na produção de um documentário, evitando abordagens estigmatizantes e biologizantes. Conclui-se que a obra de Nise oferece subsídios consistentes para o audiovisual contemporâneo ao afirmar a imagem como mediação cultural, o afeto como princípio comunicacional e a narrativa como espaço de reconhecimento da alteridade.

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Publicado

08/05/2026