A infância como expressão da autenticidade humana: um diálogo entre Rousseau e "O Pequeno Príncipe"
Palavras-chave:
Infância, autenticidade, educação, alienação, socialização.Resumo
O que une um filósofo do século XVIII e um aviador escritor do século XX é uma
pergunta que nenhum dos dois deixou de fazer, o que resta do ser humano depois que a sociedade termina seu trabalho sobre ele? Esta pesquisa parte dessa convergência para analisar a infância como categoria filosófica de autenticidade, colocando em diálogo o "Emílio ou Da Educação", de Rousseau, e "O Pequeno Príncipe", de Saint-Exupéry. A hipótese central é que o processo de socialização vai substituindo, no sujeito, a percepção direta do mundo pelas mediações da utilidade e do julgamento alheio, o ser cede ao parecer, o essencial ao mensurável. A análise articula os conceitos rousseauístas de "amour de soi" e "amour propre" com as cenas e personagens de Saint-Exupéry, mostrando que a criança não vê o mundo de forma ingênua, mas de forma ainda não deformada. O método combina análise filosófica e hermenêutica textual.