Dos palácios da imagem à memória urbana: os cinemas de rua e a transformação da experiência cultural na cidade de São Paulo
Palavras-chave:
cinemas de rua; São Paulo; memória urbana; cultura urbana; modernidade.Resumo
Este artigo analisa a trajetória histórica dos cinemas de rua na cidade de São Paulo, compreendendo-os como equipamentos culturais que ultrapassam a função de exibição audiovisual para se constituírem como espaços de sociabilidade, marcos arquitetônicos da modernidade e referências simbólicas da memória urbana paulistana. Parte-se da compreensão de que a experiência cinematográfica, desde sua consolidação, esteve profundamente articulada às transformações da vida moderna, à reorganização da percepção coletiva e à constituição de novos hábitos culturais nas grandes cidades. O estudo problematiza de que maneira os cinemas de rua contribuíram para a construção da experiência cultural urbana em São Paulo e como seu declínio expressa transformações nas formas de lazer, consumo cultural e organização espacial da metrópole contemporânea. Metodologicamente, trata-se de pesquisa qualitativa, de natureza bibliográfica e histórico-documental, fundamentada na análise crítica de obras teóricas sobre cinema, cidade, modernidade, cultura urbana e memória social. O referencial teórico mobiliza
autores como Jacques Aumont (1995), Ismail Xavier (2008), Miriam Hansen (1991), Francesco Casetti (2015), Paulo Emílio Salles Gomes (1980), Nicolau Sevcenko (1992), Raquel Rolnik (1997), Teresa Caldeira (2000), Paula Santoro (2004), Sheila Schvarzman (2005) e Mariana Queen Nwabasili (2022). Os resultados da análise indicam que os cinemas de rua desempenharam papel central na constituição da vida cultural paulistana, funcionando como dispositivos de urbanidade e pertencimento coletivo, ao passo que seu declínio acompanha processos de fragmentação da experiência urbana, privatização do lazer e reorganização das centralidades culturais da cidade. Conclui-se que esses espaços permanecem relevantes não apenas como vestígios da história do entretenimento, mas como elementos fundamentais para a compreensão das transformações culturais e urbanas da metrópole paulistana.