A estética e a criação de sentido do plano-sequência em Adolescência (Netflix, 2025)
Palavras-chave:
plano-sequência; narrativa audiovisual; estética cinematográfica; masculinidade tóxica; cultura digital.Resumo
Este artigo analisa o uso do plano-sequência como recurso narrativo e estético na série Adolescência (Netflix, 2025). O estudo tem como objetivo compreender de que maneira a câmera contínua contribui para a construção da imersão, da tensão dramática e da crítica à masculinidade tóxica e à cultura digital. A pesquisa adota uma abordagem qualitativa, fundamentada em análise fílmica e referências teóricas sobre cinema e audiovisual, incluindo autores como Bazin (1991), que associa o plano-sequência a uma estética do real e à preservação da continuidade espaço-temporal; Deleuze (1985), que o compreende como expressão da “imagem-tempo”, em que a duração é vivida diretamente pelo espectador; e Xavier (2005), que destaca a mise-en-scène como eixo central da experiência narrativa e sensorial no audiovisual. Os resultados preliminares indicam que o uso contínuo da câmera em Adolescência não apenas reforça a dimensão estética da obra, mas também atua como ferramenta crítica, expondo a pressão social e a fragilidade emocional dos personagens. Conclui-se que o plano-sequência, mais do que uma técnica de linguagem, constitui um dispositivo de reflexão sobre os dilemas contemporâneos vividos pelos jovens. A escolha do plano-sequência justifica-se pela sua capacidade de intensificar a experiência temporal do espectador, e ampliando o envolvimento emocional com a narrativa.